17 de outubro de 2018
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Ter um ambiente de trabalho onde a diversidade está presente traz benefícios evidentes para as organizações.  Os colaboradores ficam mais acolhidos e motivados, aumenta a produtividade e também ocorrem impactos positivos nos resultados financeiros das empresas.

Mas o que a diversidade engloba exatamente? Como ela está sendo praticada nas organizações? E o que as empresas podem fazer para tornar seus ambientes mais diversos? Neste artigo vamos responder estas perguntas para mostrar a importância da diversidade no meio corporativo e lhe ajudar a adotar as melhores práticas nesse sentido para sua empresa.

O que significa diversidade nas organizações?

Ter um ambiente de trabalho com diversidade significa estar aberto às diferenças e proporcionar espaço para profissionais independentemente de suas condições físicas, etnias, idades e gêneros.

Ou seja, selecionar e recrutar de maneira mais equilibrada homens e mulheres, pessoas com deficiência, LGBTs (grupo formado por lésbicas, gays, travestis, transexuais e transgêneros) e pessoas de diferentes raças, origens  ou cor.

Nossa sociedade é composta por toda essa pluralidade de pessoas e isso deve estar representado no ambiente corporativo. Ou pelo menos, deveria estar representado, já que o cenário atual ainda é bem distante desse modelo ideal.

Qual o cenário atual da diversidade?

Um estudo do Instituto Ethos sobre o perfil social, racial e de gênero das 500 maiores empresas do Brasil mostra que ainda há um longo caminho a ser seguido:

• as mulheres têm vantagens em relação aos homens somente nos níveis mais iniciais onde representam 55,9% dos aprendizes e 58,9% dos estagiários. Depois, os índices caem, para 38,8% em supervisão, 31,3% em gerência e somente 13,6% no quadro executivo;
• a situação é ainda pior na comparação por cor ou raça, que mostra que os negros ocupam somente 6,3% dos cargos de gerência e 4,7% de posições no quadro executivo;
• em relação às pessoas com deficiência, a pesquisa mostra que o grupo de empresas analisados tem apenas 2% em seus quadros, o que basicamente se limita ao cumprimento do mínimo exigido pela Lei 8.213/1991;
• no quesito faixa etária, o grupo de 24 a 45 anos representa 65,5%. Para a faixa acima de 45 anos esse índice já caiu para 26%, e acima de 56 anos chega a 5,9%.

O levantamento do Ethos não aborda a comunidade LGBT, mas outros números indicam que a dificuldade é enorme para este grupo:

• 41% afirmam ter sofrido discriminação por sua orientação sexual ou identidade de gênero no ambiente de trabalho;
• 33% das empresas brasileiras não contratariam pessoas LGBT para cargos de chefia;
• 61% dos funcionários LGBT no Brasil optam por esconder a sexualidade de colegas e gestores;
• 90% dos travestis estão se prostituindo por não conseguirem empregos (mesmo com bons currículos);
• 68% das pessoas já presenciaram algum tipo de homofobia no ambiente de trabalho.

Outra pesquisa, feita pela Vagas.com, uma empresa especializada em soluções tecnológicas de recrutamento e seleção, e a Talento Incluir, que atua na inclusão de pessoas com deficiência na sociedade no mercado de trabalho, mostra que 60% dos profissionais de RH entrevistados responderam que as empresas onde trabalham não têm programas com foco na diversidade. Do total, 25% disseram que as organizações onde estão ainda não estão aptas para tratar desse tema e somente 10% considerou que as empresas estão prontas para lidar com a diversidade.

Exemplo positivo

No entanto, existem empresas que já começam a voltar esse olhar para a importância da diversidade.  Um exemplo positivo é a Senior, de Blumenau,  que, além de oferecer soluções de tecnologia inovadoras, gestão eficiente dos custos e resultados acima da média, tem o propósito de Potencializar Pessoas e Impulsionar Negócios, e ser uma excelente organização para qualquer pessoa trabalhar.

Em 2018, a empresa investiu num curso de tecnologia inclusiva em Blumenau e contratou jovens aprendizes com deficiência, buscando desenvolver suas carreiras. “Sabemos que as empresas têm um papel importante de construir uma sociedade mais igualitária e que somos um reflexo do meio onde estamos. Então é muito importante ter representatividade”, diz a Diretora de Pessoas e Organização, Jussara Dutra.

Ela complementa que pensar em diversidade só traz vantagens para a empresa, pois a inovação está no DNA da Senior, por isso são respeitadas as diferenças e potencializado o que conecta as pessoas. “Acreditamos que os diferentes têm muito em comum do que se pensa, e que é na diversidade que se faz inovação.”

Qual a importância da diversidade?

Empresas que ainda não se atentaram para a importância da diversidade estão perdendo oportunidades, já que um ambiente onde imperam as diferenças de características pode ser benéfico para os negócios.

A pluralidade de pensamentos pode tornar o meio mais criativo e estimulante. Com um ambiente mais aberto, os colaboradores ficam mais motivados e trabalham de maneira mais engajada. Isso sem falar na melhoria da imagem da empresa perante o mercado de clientes e consumidores, já que muitas pessoas começam a optar por marcas que se mostram a favor da diversidade e com responsabilidade social, o que engloba também a inclusão das diferenças. (ver mais informações no texto employer branding)

Um levantamento sobre diversidade, feito pela consultoria McKinsey and Co. em 1.000 empresas em 12 países, mostra que a performance financeira das companhias está ligada à diversidade de seus executivos, incluindo uma grande proporção de mulheres e composição mais balanceada em relação à mistura étnica e cultural. O levantamento mostra que:

• empresas com equipes executivas com diversidade de gêneros são 21% mais propensas a ter lucratividade acima da média;
•companhias com mais diversidade étnica e cultural têm probabilidade de 33% de obter melhor desempenho na margem de lucro EBIT (lucro antes de encargos financeiros e impostos).

Como as empresas podem buscar a diversidade?

Se a sua empresa ou organização onde você trabalha ainda não tem qualquer prática para potencializar a diversidade, sempre é tempo de começar:

1. Um dos primeiros passos, pode ser criar um programa ou comitê com profissionais focados em buscar ações práticas para trazer essa diversidade para o ambiente corporativo.  

2. Podem ser organizadas palestras, debates, para estimular a troca de informações e ideias sobre os diversos públicos que necessitam de uma inclusão mais incisiva, para ampliar as visões e tornar o ambiente mais aberto a novos pensamentos. Fale para conscientizar, o preconceito é filho da ignorância.

3. A empresa pode estabelecer um código de conduta ou alguma política interna que aborde o tema diversidade e verificar constantemente se isso é cumprido. Estenda os benefícios aos casais homoafetivos.

4. Pode ser criado um canal de comunicação para recebimento de denúncias em relação a discriminação racial, sexual ou algum outro tipo de preconceito enfrentado pelos funcionários.

5. Na hora de anunciar as vagas de emprego, a empresa pode se preocupar em salientar que está aberta a candidatos que normalmente são discriminados no mercado.

6. Também pode ser feito o apoio a algum projeto na comunidade voltado para eliminação do preconceito ou direcionado a algum desses grupos específicos.

7. E ainda, visitar empresas e conhecer cases sobre Gestão de diversidade.

Sua empresa já pratica ações para estimular a diversidade? Gostou deste artigo? Então compartilhe e estimule outras organizações a entenderem a importância de ter um ambiente com mais pluralidade.

Paulo Sérgio de Souza Corrêa

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