24 de setembro de 2021
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Já é uma tradição a Keeptalent publicar, no início do ano, um artigo sobre as tendências de RH para o período que vem pela frente. Mas, desta vez, no lugar de listas genéricas baseadas em pesquisas, resolvemos fazer um levantamento mais personalizado. Este ano, como embaixador da DCH no Brasil, entrei em contato com líderes de RH de seis países: Brasil, Espanha, Portugal, Inglaterra, Cabo Verde e Moçambique, para saber a visão de cada um sobre as tendências, os desafios e como os profissionais de RH podem se preparar para isso. Neste primeiro artigo, vamos falar sobre as principais tendências apontadas por esses especialistas.

Cada líder trouxe sua perspectiva, de acordo com o local onde está inserido, mas algumas tendências se repetiram e foram citadas pela maioria: como o trabalho remoto e a flexibilização; o foco na saúde e bem-estar dos profissionais; além da utilização de metodologias ágeis e automatizações de processos.

1- Trabalho remoto e flexibilização

Para o Presidente Global da DCH, Organização Internacional de Diretores de Recursos Humanos (Espanha), Juan Carlos Pérez Espinosa, grande parte das tendências para 2021 será marcada pela situação internacional que estamos vivendo como resultado da pandemia. Ele diz que o cenário gerado pela Covid-19 obrigou as empresas a darem um enorme salto na digitalização, principalmente em relação ao trabalho remoto. No entanto, considera que o prolongamento desta situação está estabelecendo tendências mais profundas, que afetam todos os subsistemas de gestão de pessoas. “Isto vai impulsionar processos de triagem totalmente automatizados e processos de seleção com suporte digital em massa; o aumento na busca de profissionais globalmente e não apenas no próprio país, mas também em pequenas e médias empresas. Além do desenvolvimento definitivo do aprendizado por treinamentos on-line e a necessidade de desenvolvimento de competências específicas para as lideranças remotas”, completa.

O Diretor de Vendas da Indeed Brasil, Felipe Scotti Calbucci, também considera que a pandemia trouxe mudanças duradouras para o RH. “Da mudança para o trabalho remoto ao apoio à diversidade, inclusão e pertencimento no local de trabalho, foram mudanças que começaram a construir ambientes mais justos para todos e que continuarão em 2021”, analisa. Ele diz que, de acordo com uma pesquisa que a Indeed realizou em parceria com a Censuswide com mais de 250 empresas, flexibilidade tanto nos horários quanto na possibilidade de trabalho remoto, são as principais apostas para 2021 da grande maioria dos entrevistados.

Do mesmo modo, a Diretora de RH da Enacol (Cabo Verde), Indira Silva Leite, aponta a rotina de treinamento on-line e a flexibilização do trabalho como tendências. “O trabalho híbrido já é uma realidade e necessidade”, afirma. O Diretor da DCH África (Moçambique), Marco Pimentel, é outro gestor que cita o trabalho flexível e os sistemas de gestão remotos como pontos fortes no RH para este ano.

“O mercado de trabalho mudou e as empresas serão fortemente impactadas e terão que se reposicionar quanto aos diferentes modelos de trabalho”, analisa a Diretora de Pessoas e Organização da Senior Sistemas, Jussara Dutra. Ela diz que em relação ao trabalho remoto, presencial ou híbrido, as discussões sobre riscos, vantagens e desvantagens dos modelos serão mais fundamentadas em dados, do que em preferências dos gestores.

O Diretor de RH do Grupo TAP e Presidente da DCH Portugal, Pedro Ramos, considera que as principais tendências para o RH em 2021, durante e após a pandemia, passam por consolidar os novos processos de organização do trabalho com a implantação da nova realidade híbrida estendida aos vários contextos corporativos. “Deve-se reforçar a construção das competências críticas ao universo dos colaboradores da empresa com um foco claro em suas ‘power skills’, que possibilitem a promoção da excelência operacional, apesar das adversidades geradas pela pandemia. E ainda fazer crescer o negócio, promover a inovação e o fazer diferente, gerenciar o risco, mas também promover novas dinâmicas (pragmáticas) ao nível das relações pessoais e laborais nos vários contextos organizacionais”, avalia.

Essas novas dinâmicas nas relações também foram um ponto abordado pela Líder Global de Gestão de Pessoas (Inglaterra), Jennifer Mounce. Ela cita a questão da conectividade humana, sobre como apoiaremos as interações, criando comunidades e construindo relacionamentos em nossa força de trabalho agora virtual. “O que costumávamos fazer para criar comunidades e conectar nos escritórios, provavelmente não estará disponível por tempo suficiente para que possamos pensar em como apoiar a conectividade em um ambiente virtual”.

2- Saúde e bem-estar

Outro tópico abordado pela maioria dos líderes mundiais de RH foi o foco na saúde e bem-estar dos profissionais. “Uma maior consideração à saúde mental e ao bem-estar das equipes são fatores que marcarão o mercado em 2021”, afirma o Diretor de Vendas da Indeed Brasil, Felipe Scotti Calbucci. Ele relata que, na pesquisa feita pela Indeed em parceria com a Censuswide, chamou bastante a atenção o fato de que 66% das empresas disseram que uma maior consideração à higiene, segurança e saúde no ambiente de trabalho serão tendências permanentes para o futuro.

A saúde e bem-estar, incluindo um worklife balance, ou seja, um equilíbrio entre vida pessoal e profissional, também foram citados pelo Diretor da DCH África (Moçambique), Marco Pimentel. A Líder Global de Gestão de Pessoas (Inglaterra), Jennifer Mounce, considera que a saúde mental e o bem-estar nunca foram tão importantes. “De lockdowns a isolamento, a trabalhar e estudar em casa, testar positivo, perder um membro da família ou amigo. Estes são todos desafios significativos que as pessoas estão enfrentando na vida e devemos encontrar maneiras de continuar a apoiar as necessidades de nossos colaboradores durante esse período”, afirma. “Serão feitos esforços importantes para melhorar a saúde física e emocional dos funcionários, que, em muitos casos, estão sofrendo situações realmente complicadas. Tudo isso vai tornar essencial uma abordagem global para gerenciar a experiência do funcionário”, complementa o Presidente Global da DCH (Espanha), Juan Carlos Pérez Espinosa.

3- Metodologias ágeis e transformação digital

A Diretora de Pessoas e Organização da Senior Sistemas, Jussara Dutra diz que a transformação digital nas empresas foi acelerada, trazendo pressão para que os processos de gestão de pessoas, proporcionem uma experiência mais digital aos colaboradores, da mesma forma que estão buscando proporcionar para os clientes. Ela cita ainda como tendência os elementos da transformação digital, incorporados na gestão de pessoas para resolver problemas da organização, incluindo BI, Analytics, Design Thinking, Lean, Ágil, entre outros.

A Diretora de RH da Enacol (Cabo Verde), Indira Silva Leite, apontou como tendência a ampliação da aplicação de recursos tecnológicos, automatização de processos e agilidade nos processos de RH. Igualmente, o Diretor da DCH África (Moçambique), Marco Pimentel, citou o Agile RH.

“Inteligência Artificial e da análise de dados em RH terão um papel crescente, e uma tendência, que está sendo imposta de forma definitiva e que será consolidada em 2021, é a implementação de metodologias ágeis, por um lado, e, por outro, a Análise de Redes Organizacionais (ONA – Organizational Network Analysis), que estão permitindo, finalmente, que os departamentos de pessoas tenham um papel de liderança nos processos de transformação das organizações”, analisa o Presidente Global da DCH (Espanha), Juan Carlos Pérez Espinosa,

4- Benefícios

A questão da estratégia de benefícios oferecidos foi apontada por duas lideranças. A Diretora de RH da Enacol (Cabo Verde), Indira Silva Leite, citou a oferta de benefícios exclusivos para se destacar no mercado, criando uma Employe Experience. Já a Líder Global de Gestão de Pessoas (Inglaterra), Jennifer Mounce, considera que a Recompensa Total é uma tendência absoluta, pelo menos no setor de tecnologia. “Em 14 países, a mensagem consistente é que o mercado de talentos tecnológicos está mais forte do que nunca. É preciso garantir estratégias fortes de remuneração e benefícios para se manter competitivo”, analisa.

Nos próximos artigos Artigo 2 e Artigo 3 desta série. vamos mostrar os desafios apontados por essas lideranças de diferentes países. Gostou de ler sobre as tendências para 2021? Então compartilhe esse artigo e acompanhe também a Keeptalent nas redes sociais.

Paulo Sérgio de Souza CorrêaPaulo Sérgio de Souza Corrêa

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