24 de setembro de 2021
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  • 14:07 É POSSÍVEL TRABALHAR E SER FELIZ NO MESMO LUGAR.

Ainda hoje me lembro, quando na adolescência na escola comecei a aprender Francês…

Da minha enorme dificuldade nas concordâncias dos tempos verbais e, sobretudo, na diversidade de tempos verbais que a língua francesa nos colocava à frente,  o que invariavelmente passava a sensação de que havia sempre muitos passados, vários presentes e diferentes futuros…

Talvez por isso, desde logo me encantei por dois tempos verbais que não tinham correspondência direta com o (meu) português – passé récent e le futur proche!

“Je viens de…” passou a ser qualquer coisa na minha vida como “acabei de fazer algo…” e um “je suis en train de…”, até pela piada na não relação com o português, passou a fazer sentido para mim sempre que “estou prestes a fazer algo”… São o passé recent e le futur proche que, de antes ou depois, têm sempre uma referência clara ao presente, ao momento atual, à posição atual onde acabei de chegar e de onde estou prestes a partir…

E o que estes dois tempos verbais da língua francesa têm a ver com o atual estado dos líderes e das lideranças?

Tudo! Porquê? Vamos falar claro:  os contextos atuais da Liderança suportam-se essencialmente em dois tempos verbais – passé récent e le futur proche!

Senão vejamos…

Eu diria que uma das grandes preocupações atuais dos líderes das nossas organizações, no meio desta pandemia, está no “desígnio” (para qual nunca fomos preparados no passado) de um planeamento e gestão de curtíssimo prazo! No passado, chamávamos a isto “navegação à vista”, mas sempre numa base provisória. Ora, hoje não se trata de um processo pontual. Estamos mesmo a vivenciar uma nova fase de exigência para os líderes organizacionais, que passa pela capacidade de desenvolver processos de liderança de muito curto prazo.

Ser capaz de, e, quase em simultâneo, “acabar de…” afigura-se descobrir uma resposta para um velho ou novo problema, e, nesse momento, ser capaz de pôr em marcha, em ação, sempre prestes a desafiar e mobilizar os seus colaboradores, para a próxima fase, a resposta mais eficaz para o desafio seguinte… caracterizam os dois tempos verbais que agora fazem parte da “gramática” da Liderança atual.

Da mesma forma, esta indefinição e (re)construção permanentes, exigem a adoção de um novo guião de comunicação partilhado que tem de ser o mais possível universalizado dentro da empresa. Ou seja, a grande preocupação das Lideranças  poderá ser a de não ser compreendida ou entendida, ao mesmo tempo, em toda a organização. Novo guião, novo dicionário, novos vocábulos e palavras têm de ser partilhadas por todos de forma muito abrangente e emergente. E isso é um desafio à comunicação (de massas) interna.

A flexibilização dos processos internos, os reajustes dos designs organizacionais, bem como a preparação dos líderes e dos liderados para os vários contextos emergentes, com foco nos cenários de curto prazo, numa lógica de gestão da mudança “intensa” é outra das fortes tendências atuais e que exigem que estejam completamente dominados os dois tempos verbais “favoritos” do mundo francófono.

Por último, estando grande parte das bases da liderança muito assente em premissas racionais (processos, procedimentos, mensagens…) a maior preocupação deverá ser como “emocionalizar” todos estes processos.

Estamos, agora, no reino (ou reinado) das Emoções! Tudo tem de ser trabalhado numa lógica emocional e transacional. Esta é uma necessidade das lideranças mas também uma grande preocupação.

A atuação de um grande líder estará na enorme capacidade de permanentemente “vir de” envolver, inspirar, emocionar e, estar sempre, prestes a fazer agregar valor para o negócio com as suas pessoas.

Estamos perante uma nova Liderança (à) Grande e à Francesa, pois claro!

Por Pedro Ramos, Diretor de Recursos Humanos do Grupo TAP Air Portugal/ Vice-Presidente da APG/ Presidente da DCH Portugal/ Membro Conselho Estratégico da ABRH Brasil/ Membro Conselho Estratégico da Líder

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